Quem topa discutir a unificação?

Quem topa discutir a unificação?

Faça um grande favor ao futuro de nossos filhos. Pergunte hoje no seu local de trabalho quem foi vítima ou sabe de um ato de violência nos últimos meses e, depois, indague se a pessoa se sentiu acolhida pela polícia. Depois, pergunte se há futuro no nosso modelo em que a Polícia Militar faz o trabalho ostensivo e a Civil a investigação. Converse com os mais entendidos em segurança pública e reflita sobre as diferenças históricas de tratamento dadas pelo governo às duas corporações, com claro favorecimento à PM e me diga se a Civil está ou não desmoralizada há muito tempo, não por incompetência de seus servidores, mas, por interesses de chefias, falta de pessoal, recursos e vontade política?

Então, por que têm medo de discutir a unificação? Até quando vamos empurrar as divergências claras e maléficas entre homens das duas policias que atuam como inimigos em muitas situações? Na semana passada, doeu muito saber que um jovem delegado é o acusado de matar um rapaz durante discussão dentro de uma casa de shows do pai dele. Fiquei pensando sobre possíveis contratempos que a fornada de jovens delegados deve estar causando em muitos rincões de Minas. E então, li artigo de Túlio Vianna que diz o seguinte:

“Nos EUA, na Inglaterra e em outros países que adotam o sistema anglo-saxão, as polícias são compostas exclusivamente por civis e são de ciclo completo, isto é, o policial ingressa na carreira para realizar funções de policiamento ostensivo e, com o passar do tempo, pode optar pela progressão para os setores de investigação na mesma polícia. Para que se tenha uma ideia de como esse sistema funciona, um policial no Departamento de Polícia de Nova York (NYPD) ingressa na carreira como agente policial (police officer) para exercer atividades de polícia ostensiva (uniformizado), tais como responder chamadas, patrulhar, perseguir criminosos etc. Depois de alguns anos, esse agente policial pode postular sua progressão na carreira para o cargo de detetive (detective), no qual passará a exercer funções investigativas e não mais usará uniformes. A carreira segue com os cargos de sargento (sergeant), que chefia outros policiais; de tenente (lieutenant), que coordena os sargentos; e de capitão (captain), que comanda o que chamaríamos de delegacia”.

Por que a gente não simplifica? O ciclo completo e a promoção por etapas cumpridas, experiências acumuladas, competência provada?

Fonte: Hoje em Dia

 

X