Integrantes de centrais sindicais fazem passeata no centro de Belo Horizonte.

Integrantes de centrais sindicais fazem passeata no centro de Belo Horizonte.

Depois de se concentrarem na praça Sete na manhã desta quinta-feira (11), manifestantes  que aderiram ao Dia Nacional de Mobilização e Greve realizam uma passeata pelo centro de Belo Horizonte. Cerca de 3.500 pessoas, segundo informações da PM,  fecharam os dois sentidos da Afonso Pena e, após concentração, empenharam passeata

A programação inicial dos sindicalistas é passar pela prefeitura de BH, Palácio da Liberdade, Assembleia Legislativa, Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig) e Rede Globo. Durante manifestação, cartazes e faixas são expostos com reivindicações e demandas das categorias. 

Os três principais grupos que participam da manifestação são: metroviários, profissionais da educação e da saúde.Para o presidente da Nova Central Sindical de Trabalhadores de Minas Gerais (NSCT), Antônio da Costa Miranda, a pulverização dos protestos para causas particulares em pontos diversos da cidade e região metropolitana compromete a aglomeração.

"A concentração maior que esperávamos foi dispersada com manifestações, em portas de empresas, por exemplo. Além disso, a juventude tem mais energia do que os trabalhadores para irem às ruas. O trabalhador está interessado, convencido da nossa luta, mas ele tem dificuldade de sair. Muitos aproveitaram que as estações de metrô estão fechadas e ficaram em casa", avaliou.

Protesto conta com dois trios elétricos para indicar as reivindicações e organizar os participantes. Um dos líderes do movimento comunicou, em cima do trio elétrico, que uma reunião entre o governador Antonio Anastasia e as centrais sindicais, que estaria marcada para às 11 horas,  foi cancelada pelo chefe do Executivo de Minas Gerais. Anastasia não teria dado nenhuma explicação para o cancelamento do encontro. Entretanto, a agenda oficial do governador não confirmava, desde a noite desta quarta-feira (10), que essa reunião estaria prevista.  
 
 
Já em Contagem, aproximadamente 250 integrantes do sindicato dos metalúrgicos fecharam os dois sentidos da avenida Cardeal Eugênio Pacelli, segundo a Transcon. O grupo seguiu para a avenida General David Sarnoff. Esse bloqueio refletiu no trânsito das avenidas Amazonas e Tito Fulgêncio durante a manhã desta quinta-feira (10). 
 
A Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG) acompanha de perto toda a movimentação na capital e região metropolitana. De acordo com o chefe da assessoria de imprensa da PM, major Gilmar Luciano Santos, a polícia está preparada para agir caso o movimento deixe de ser pacífico. “Nós fizemos vários contatos e acompanhamos todas as negociações (das centrais sindicais) e estamos a par de todo o planejamento. Estamos trabalhando em cima de um tripé: situação de normalidade, quando nada acontece, situação de normalidade com pontos de manifestação, que é o caso de hoje, e possibilidade de haver algum tipo de quebra de ordem pública”, explicou.

Ainda segundo o major, policiais militares estão espalhados por pontos estratégicos na capital e região, além de mais de 1.500 militares a postos na academia de polícia. Equipes da cavalaria também estão nas ruas, e três helicópteros da corporação estão prontos para levantar voo, caso seja necessário.

Transporte

Na manhã desta quinta, algumas estações BHBus também aderiram à paralisação. Na região do Barreiro, de acordo com a Polícia Militar (PM), cerca de 180 pessoas impediram a saída dos ônibus. Segundo a BHTrans, a circulação dos coletivos parou às 6h30. Por volta das 10h, os motoristas fizeram uma assembleia e decidiram que cada profissional tinha autonomia para decidir se trabalha hoje ou não. Muitos resolveram cruzar os braços e participar dos movimentos.  No entanto, às 10h20, os coletivos voltaram a circular normalmente, conforme a BHTrans. 

Na Estação Diamante, cerca de 150 pessoas realizaram um movimento pacífico e, de acordo com BHTrans, os ônibus não circularam no início da manhã. A circulação voltou ao normal às 11h15.

Motoristas estiveram a postos para trabalhar na Estação Venda Nova, mas os ônibus não rodam, segundo a BHTrans. Segundo o diretor do Sindicato dos Rodoviários de Belo Horizonte e região, Ivaldeci Vicente da Silva, o grupo que impede os ônibus de saírem da estação não são integrantes do sindicato. Até as 11h15, apenas parte dos veículos tinha voltado a circular. 

BHTrans informou ainda, que, na Estação São Gabriel, a paralisação afetou a linha troncal 8350 (Barreiro/São Gabriel). Com a paralisação do metrô, uma linha especial foi disponibilizada para levar os usuários até o centro, sem paradas, passando pela avenida Cristiano Machado, até a rua Guaicurus. No local, 26 linhas, sendo duas troncais, 19 alimentadoras e cinco do DER, atendem à estação.

A BHTRans também informou que a Estação Vilarinho funciona normalmente. Cinco linhas de ônibus da empresa circulam pela estação em dias úteis. Ao todo, 19 mil usuários, por dia, passam pela estação.

A Liga dos Operários informou, por meio de nota, que as atividades nas estações foram paralisadas nesta manhã para reivindicar contra baixos salários, contra a dupla função, contra demissão dos cobradores, pelo pagamento integral da Participação nos Lucros e Resultados (PLR) e da insalubridade e contra o "oportunismo que se encontra encastelado da direção do Sindicato dos Trabalhadores Rodoviários".

Dados

A BHTrans informou que uma média de 150 mil pessoas circulam na Estação Barreiro diariamente, utilizando os ônibus. No local, circulam 31 linhas, sendo dez  troncais, 18 alimentadoras e três do DER.

Na Diamante, a média é de 65 mil usuários por dia. No local, 24 linhas, sendo três troncais, 13 alimentadoras e oito do DER, atendem à estação. Na Estação Venda Nova, a média de 72 mil usuários por dia. No local, 17 linhas, sendo quatro troncais e 13 alimentadoras, atendem à estação. A Estação São Gabriel atende a 35 mil usuários por dia em média.

De acordo com a Secretaria Estadual de Educação, das 3.686 escolas estaduais de Minas Gerais, 2,5% foram afetadas pelas mobilizações do Dia Nacional de Lutas. Destas, dez escolas, o que corresponde a 0,27%, pararam completamente. Outras 83 (2,24%) funcionam parcialmente.

Reunião na ALMG

O presidente da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), deputado estadual Dinis Pinheiro (PSDB), reuniu-se com cerca de 15 líderes das centrais sindicais do Estado no salão nobre da ALMG na manhã desta quinta-feira (11). 

A reunião começou por volta das 8h30, segundo a assessoria da Casa, e durou cerca de 45 minutos. O grupo apresentou suas reivindicações, tanto a nível estadual – contra a criminalização a manifestações, aprovação do projeto de lei que institui piso salarial – quanto nacional – como a redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais, fim do fator previdenciário e fim das terceirizações.

Em resposta, o presidente se comprometeu a fazer reunião com os líderes de bancadas políticas, no dia 6 de agosto, para discutir a pauta de reivindicações recebida e o modo como a ALMG pode auxiliar as centrais a conquistar as demandas apresentadas.

Participaram do encontro representantes da Central Única dos Trabalhadores (CUT), da Força Sindical, da Nova Central Sindical de Trabalhadores (NCST), da União Geral dos Trabalhadores (UGT), da Central Sindical e Popular (CSP-Conlutas) e da Central dos Trabalhadores do Brasil (CTB).

Segundo a assessoria da ALMG, após a conversa, os deputados trabalham normalmente na Casa.

Para o presidente da Nova Central Sindical dos Trabalhadores de Minas Gerais (NCST), Antônio da Costa Miranda, a posição do presidente da ALMG é entendível, mas era esperado pelos representantes sair da reunião com alguma ação mais concreta. "Entendemos que ele não vai resolver e atender todas as nossas demandas de uma só vez e ele se mostrou aberto à discussão, mas tínhamos a expectativa de que ele fosse nos dar algo mais pontual, alguma proposta", justificou.

Governador

Nessa quarta-feira (10), o presidente do Nova Central Sindical de Trabalhadores de Minas Gerais (NSCT), Antônio da Costa Miranda, informou que uma reunião já estava marcada com o governador de Minas às 11h desta quinta, no Palácio da Liberdade. Porém, o governo Estadual não confirmou a realização da reunião, informando que a agenda de Anastasia desta quinta contém apenas compromissos internos.

Fonte: O Tempo

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