Vereadores, prefeitos e demais políticos interferem na autonomia da Polícia Civil no interior.

Vereadores, prefeitos e demais políticos interferem na autonomia da Polícia Civil no interior

 
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Um episódio em Diamantina ocorrido ontem (16/03), onde o prefeito da cidade de Serro interferiu pela remoção do delegado, Ailton Aparecido Lacerda, indicado pela Chefia da Polícia para assumir a regional daquela circunscrição, tem causado grande indignação nos policiais da região, além de lideranças comunitárias e políticas, que reconhecem o grande caráter e competência deste servidor, que já teve a oportunidade de prestar relevantes serviços na localidade.

O fato desta ingerência municipal tem sua origem no grau de parentesco do delegado com um cidadão que em 2008 foi adversário político do candidato que venceu as eleições no Serro. Esse por sua vez, ao saber da possível ascensão do policial civil, que em nada tem haver com situação política doméstica da cidade, mas sim com os assuntos afeitos ao arcabouço da segurança pública de toda a região circunscrita de Diamantina, que também rege a cidade supra citada. Ações rasteiras e ilegítimas como esta, vem mais uma vez demonstrar a perversidade dos bastidores da política mineira, bem como os entraves e percalços interpostos no caminho de profissionais abnegados, que têm como missão garantir e oferecer segurança pública e paz social para mais de 20 milhões de mineiros, como se já não bastasse as interferências nocivas de outros fatores como a usuepação de função promovida pela PM, que ao invés de prevenir, busca investigar crimes, além do histórico sucateamento, com falta de viaturas, efetivo, condições de trablaho, péssimas instalações, e é claro, os baixos e risíveis salários.

A direção do SINDPOL/MG, na pessoa de seu Presidente e Vice, tão logo teve conhecimento desta grave intromissão, cuidou de se dirigir pessoalmente até o Chefe de Polícia, Dr. Jairo Lellis, e em reunião demorada, debateram seriamente sobre o assunto.

O SINDPOL/MG alertou e cobrou do Chefe que se a estrutura da Polícia Civil se sucumbir e fraquejar diante de ingerências políticas e partidárias domésticas, bem como interesses palacianos menores e pessoais, ficará impraticável para a Polícia Civil, na capital e interior, promover segurança pública e investigação criminal. O SINDPOL/MG concluiu com o Chefe que é imperativo que esta situação ocorrida em Diamantina seja equacionada e resolvida, tendo em vista a legalidade e autonomia da nossa instituição, caso contrário, se abaterá no seio de todos os policiais, já tão fragilizados, pelos motivos acima expostos, um sentimento de desmotivação e baixa produtividade, o que não é interessante para ninguém, sociedade, governo, servidores e instituição Polícia Civil.

Conhecedores de que, no tocante aos cargos comissionados, compete à Chefia apenas a indicação, já a nomeação é ato exclusivo do Governador do Estado, o qual, em todas as oportunidades apregoa que respeita a autonomia da Polícia Civil, também é oportuno neste momento, que o mesmo, fazendo uso de sua coerência, que lhe é peculiar, demonstre o tamanho e a dimensão deste respeito à autonomia da nossa instituição. O SINDPOL/MG, a Polícia Civil e o povo da terra de JK aguardam solução para este impasse.

 

Veja abaixo-assinado de lideranças e policiais que já fizeram ato público na Praça de Diamantina com ampla cobertura da imprensa, contra ingerência promovida pelo prefeito da cidade de Serro, com apoio de setores do Palácio Tiradentes.

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