Minas tem aumento nos homicídios e é destaque em ranking negativo na segurança pública

12 de junho de 2025

Enquanto o Brasil registra queda nos homicídios dolosos, Minas Gerais segue na contramão da tendência nacional. Segundo o Mapa da Segurança Pública, divulgado pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública na última quarta-feira (11/6), o estado mineiro teve alta de 7,38% nos homicídios dolosos em 2024. Foram 2.853 mortes, contra 2.657 em 2023. Com isso, Minas ocupa o terceiro lugar no ranking de maiores crescimentos percentuais desse tipo de crime, atrás apenas do Maranhão e do Ceará.

A capital Belo Horizonte também figura negativamente entre as cidades mais violentas do Brasil: foi a sétima cidade com maior número de assassinatos em 2024, com 358 vítimas. O levantamento mostra que apenas quatro estados registraram aumento nos homicídios — os demais apresentaram redução. Em todo o Brasil, houve queda de 6,33% nesse tipo de crime.

Além do aumento da violência letal, o levantamento revela uma realidade ainda mais alarmante: o crescimento da presença de facções criminosas, como o Comando Vermelho e o PCC, atuando em Minas Gerais. A falta de investimento, de efetivo e de estrutura adequada para o trabalho investigativo tem contribuído para o avanço da criminalidade no estado.

Para o presidente do Sindpol-MG, Wemerson Oliveira, os números desmentem o discurso oficial do governador Romeu Zema, que insiste em dizer que Minas é o estado mais seguro do país.

“A realidade é outra. A criminalidade está crescendo, os homicídios aumentaram, e os nossos colegas continuam adoecendo e tirando a própria vida por conta da sobrecarga, da pressão e da falta de valorização”, afirma Wemerson.

Wemerson também lembra que Minas tem o quarto pior salário do Brasil para policiais civis, o que contribui ainda mais para o desânimo e a evasão de profissionais qualificados.

Sobrecarga reflete em adoecimento mental

A situação crítica da segurança pública reflete diretamente na saúde mental dos agentes de segurança. O mesmo Mapa da Segurança apontou que Minas Gerais foi o terceiro estado com maior número de suicídios entre profissionais da área, ficando atrás apenas do Rio Grande do Sul e São Paulo. Ao todo, o estado registrou 2.006 casos de suicídio em 2024, sendo 1.566 entre homens — 78% do total.

“Enquanto o governador Romeu Zema prefere fazer viagens internacionais e se envolver em polêmicas para ganhar curtidas nas redes sociais, os policiais civis trabalham no limite, enfrentando a criminalidade com coragem, mesmo sem as mínimas condições. O preço disso é o adoecimento da categoria e o aumento da violência que atinge toda a população mineira”, conclui o presidente do sindicato.

O Sindpol-MG segue cobrando valorização real, concursos públicos, investimentos em estrutura e apoio psicológico aos servidores, além de denunciar a tentativa do governo estadual de mascarar dados e ignorar a gravidade da situação da segurança pública em Minas.

Minas Gerais registrou um aumento no número de homicídios pelo terceiro ano consecutivo, passando de 2.699 casos em 2022 para 2.795 em 2023, de acordo com o Atlas da Violência, produzido pelo IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Diferentemente de outras regiões do Brasil, onde os homicídios diminuíram 1,4% no mesmo período, o estado segue na contramão da tendência nacional. Especialistas apontam as disputas entre organizações criminosas na Região Metropolitana de Belo Horizonte e no Triângulo Mineiro como os principais fatores para essa alta.

Minas vai na contramão do país e vê o número de homicídios disparar pelo terceiro ano seguido. Os dados apresentados pelo Atlas da Violência revelam que a política de segurança pública adotada pelo governo Zema tem se mostrado ineficiente, colocando em risco a vida dos cidadãos mineiros. O governo tem promovido o sucateamento da segurança pública, com cortes de investimentos, deixando os policiais atuando em condições precárias, sem valorização salarial ou de carreira. Como consequência, criminosos se sentem à vontade para agir em todo o estado, fazendo a população refém e contribuindo para o aumento expressivo no número de mortes.

Atualmente, o estado enfrenta o pior momento em sua segurança pública sob a gestão do governador Romeu Zema. Facções criminosas de outros estados estão se instalando e aterrorizando comunidades em diversas regiões de Minas Gerais. Com uma defasagem salarial de 44% e estruturas e equipamentos em situação precária, torna-se difícil para os policiais civis atuarem com eficácia no combate a esses grupos criminosos.

O Sindpol (Sindicato dos Policiais Civis de Minas Gerais) manifesta profunda preocupação com o crescimento da criminalidade e a chegada de facções ao estado. A entidade continuará cobrando do governo a valorização dos policiais civis e a reformulação da política de segurança pública, para que a categoria possa combater o crime com mais eficiência e segurança.