Sindicato destaca que o combate efetivo ao crime depende não apenas do policiamento ostensivo, mas também de uma Polícia Civil estruturada e valorizada
O Sindicato dos Policiais Civis de Minas Gerais (SINDPOL-MG) divulgou uma campanha de conscientização voltada à importância da investigação criminal para a segurança pública do estado. A iniciativa busca chamar a atenção da população para o papel desempenhado pela Polícia Civil no enfrentamento da criminalidade e para a necessidade de maior equilíbrio nos investimentos destinados às instituições de segurança pública.
A campanha parte de uma reflexão sobre a percepção de segurança da população. Embora a presença de viaturas e o policiamento ostensivo sejam fundamentais para a prevenção de crimes e a manutenção da ordem pública, o sindicato ressalta que a verdadeira eficácia do combate à criminalidade depende também da capacidade investigativa do Estado.
Segundo o SINDPOL-MG, a prisão em flagrante representa apenas o primeiro passo do processo de responsabilização criminal. É a investigação conduzida pela Polícia Civil que permite identificar autores, reunir provas, desarticular organizações criminosas e garantir que criminosos sejam efetivamente levados à Justiça.
“Quem investiga, desmonta quadrilhas, identifica mandantes, rastreia recursos financeiros e impede a continuidade das atividades criminosas. Sem investigação, não há combate efetivo ao crime organizado”, destaca a campanha.
Diferença nos investimentos preocupa categoria
Um dos pontos centrais da campanha é a comparação entre os investimentos realizados nas instituições de segurança pública em Minas Gerais.
De acordo com os números divulgados pelo sindicato, a Polícia Militar recebeu, em 2025, 3.800 novos policiais, enquanto a Polícia Civil contou com apenas 233 nomeações no mesmo período.
A diferença também é observada na renovação da frota. Foram destinadas 1.900 novas viaturas à Polícia Militar, contra 132 veículos para a Polícia Civil.
Em relação ao armamento, a Polícia Militar recebeu 2.735 novos equipamentos, enquanto a Polícia Civil foi contemplada com 1.592 armamentos.
Na avaliação do sindicato, os dados demonstram uma disparidade significativa na distribuição de recursos entre as duas instituições.
Enquanto a Polícia Militar recebeu mais de 16 vezes o número de novos servidores destinados à Polícia Civil, a diferença na aquisição de viaturas ultrapassa a proporção de 14 para 1.
Para a entidade, esses números evidenciam a necessidade de ampliar os investimentos na estrutura investigativa do estado, responsável pela apuração de crimes, produção de provas e desarticulação de organizações criminosas.
Investigação criminal é essencial para a segurança da população
O SINDPOL-MG reforça que as atividades desempenhadas pelas forças de segurança são complementares e não concorrentes.
A Polícia Militar exerce papel fundamental na prevenção e no policiamento ostensivo, realizando abordagens, patrulhamento e prisões em flagrante. Já a Polícia Civil atua na investigação dos delitos, reunindo elementos que possibilitam a responsabilização criminal dos envolvidos.
Segundo a entidade, o enfraquecimento da capacidade investigativa compromete diretamente a eficiência do sistema de segurança pública, especialmente diante do avanço do crime organizado e da crescente complexidade das organizações criminosas.
A campanha destaca ainda que uma segurança pública eficiente exige equilíbrio entre prevenção, repressão e investigação, garantindo que todas as instituições tenham condições adequadas para cumprir suas atribuições constitucionais.
Polícia Civil forte significa mais segurança para Minas Gerais
Ao final da campanha, o sindicato faz um alerta para que a população não confunda a sensação de segurança proporcionada pelo policiamento visível com a efetiva redução da criminalidade.
Para o SINDPOL-MG, a construção de um estado mais seguro passa necessariamente pelo fortalecimento da Polícia Civil, com efetivo adequado, melhores condições de trabalho e investimentos compatíveis com a importância da atividade investigativa.
A entidade defende que o combate ao crime não se encerra nas ruas. Ele continua nas delegacias, nos inquéritos policiais, na produção de provas e nas investigações que permitem identificar, processar e responsabilizar aqueles que atentam contra a segurança da sociedade.
“Uma Polícia Civil forte não é uma necessidade da categoria. É uma necessidade de toda a população mineira.”
Deixe seu comentário