População de Santa Luzia padece com a falta de efetivo da Polícia Civil.

Servidores fazem falta à polícia

Inquéritos parados, investigações atrasadas, policiais com acúmulo de função, demora no atendimento à população e fim da emissão de documentos de identidade. Essa é a realidade das delegacias de Santa Luzia, na região metropolitana de Belo Horizonte. A reportagem registrou vários flagrantes da falta de estrutura física e profissional ontem.

"A situação piorou neste ano, quando a prefeitura demitiu 34 funcionários cedidos às unidades e que ajudavam em várias funções, como escrivão, recepcionista, digitador e auxiliar administrativo", explicou uma fonte da Polícia Civil que pediu para ter o nome preservado. Com a troca na administração municipal, em janeiro deste ano, funcionários da polícia foram exonerados, conforme reportagem publicada exclusivamente por O TEMPO, no início deste mês.

No 1º Departamento de Polícia, há 4.000 inquéritos atualmente. Com a ajuda dos servidores municipais, cerca de 55 eram concluídos por mês, mas, agora, não passam de 20.

Já na Delegacia de Mulheres, 700 inquéritos estão parados, porque a escrivã que ajudava no serviço foi dispensada. "Como você vai atender às pessoas se não tem suporte?", questionou um investigador, que também pediu anonimato. Segundo ele, no Instituto Médico-Legal, apenas dois médicos legistas se revezam no atendimento. Demitida, a secretária fazia digitação, arquivava documentos, marcava consultas e recebia o público. "Agora os médicos têm essas funções, e, aí, o serviço não anda", reclamou.

Reclamações. No serviço de identificação, a situação é pior. Os quatro atendentes que emitiam o documento foram dispensados. Ontem, pela terceira vez, o aposentado Ronaldo Soares, 47, encontrou guichês vazios e teve que voltar para casa sem a carteira. "É uma falta de respeito com a gente", reclamou.

A revolta é a mesma para o despachante Hélio Eustáquio Gomes, 35. "Antes, duas atendentes emitiam o Certificado de Registro e Licenciamento de Veículo. Agora, é só uma, e a fila fica enorme", protestou.

A assessoria da Polícia Civil não foi encontrada para se pronunciar sobre o caso.

 

Fonte: Jornal Super Notícia, 27 de fevereiro de 2013

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