Policiais civis mais uma vez decepcionados com o início do governo Zema

29 de janeiro de 2019

O Sindpol/MG vem a público externar o sentimento dos policiais civis de Minas Gerais, bem como do conjunto dos operadores de segurança, em relação ao parcelamento do 13º salário em 11 vezes.

O sentimento, desde o dia de ontem (28/01), após o anúncio do parcelamento, nas delegacias da capital e interior, é de revolta e indignação. O sindicato vem recebendo centenas de telefonemas, e-mails, de posicionamentos contrários da categoria em relação a forma de pagamento, deixando claro que o sentimento dos valorosos policiais em relação ao novo governo Zema é que o mesmo desrespeita, desvaloriza e trata de forma secundária os mesmos.

O Sindpol/MG sempre teve e tem um grande respeito pelos Poderes Legislativo e Judiciário do Estado de Minas Gerais, mas não podemos deixar de lembrar à população mineira, de que esses dois Poderes recebem seus salários em dia e já receberam o seu 13º. Lembramos ainda que como os integrantes dos Poderes citados acima, também os operadores de segurança pública tem obrigações com a manutenção de suas famílias (alimentação, escola, Cemig, Copasa, farmácia etc). Grande parte dos policiais aposentados, em razão de suas atividades exercidas muitos estão debilitados fisicamente, mentalmente e um percentual relevante de seus salários são usados para pagamentos de planos de saúde e remédios.

Não podemos deixar de citar que o governador também priorizou os prefeitos do Estado, ou seja, o “novo” já está fazendo política pensando nas eleições municipais de 2020 e do governo em 2022.

Não é justo que os operadores de segurança, que exerceram e exercem uma função altamente perigosa (tanto do ponto de vista psicológico, emocional, quanto físico) sejam tratados de forma desigual (cidadãos de segunda classe) em relação ao tratamento dado a outros Poderes.

Trabalho policial em Brumadinho

Sobre a tragédia ocorrida em Brumadinho, no último dia 25/01, onde vários cidadãos daquela comarca e muitos que lá trabalhavam, perderam as suas vidas, fato esse que lamentamos profundamente, não só como policiais, mas também como cidadãos, exigimos uma apuração isenta da influência do poder econômico e político.

Queremos evidenciar a atuação heroica de policiais civis, militares e bombeiros militares, que lá se encontram desde o dia dessa grande tragédia, colocando as suas vidas em risco, de morte iminente e de risco de contaminação, em razão dos rejeitos danosos dos produtos da mineração, levando em conta ainda os efeitos psicológicos e emocionais daqueles que estão trabalhando diuturnamente no local. A atividade policial não é de risco? A atividade policial não possui especificidades especiais? Deixamos esses questionamentos para reflexão do Governo.

Lembramos mais uma vez ao Governo do estado e à população que não foram os servidores públicos os responsáveis pela rombo do caixa do Estado de Minas Gerais, e que é inaceitável passar a responsabilidade disso para os mesmos (não aceitamos pagar essa conta). Lembramos ainda ao Governo que – sem intenção de sermos bravateiros – é necessário ter responsabilidade, critério e respeito com os operadores de segurança, pois se o mesmo não valoriza e respeita, os operadores de segurança, temos a certeza da nossa importância e valor, em razão de diuturnamente colocarmos nossas vidas em risco para defender a sociedade. Não mediremos esforços, exerceremos a mesma coragem para enfrentar criminosos, para também enfrentarmos o Governo que não nos valoriza e respeita.

Conclamamos os policiais civis e demais operadores de segurança que se mantenham em alerta e atentos, às chamadas de suas respectivas representações sindicais e associativas para os próximos movimentos e lutas em defesa dos nossos direitos.

Sem luta não há conquistas!

Á direção sindical.

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