Generalizado, bullying está em escolas públicas e particulares.

Generalizado, bullying está em escolas públicas e particulares.

Enquanto, em uma escola de periferia, um aluno pode ser discriminado por ter um tênis velho, uma camisa furada ou uma mochila encardida, um estudante de um tradicional colégio de área nobre pode sofrer agressões verbais pelo fato de o pai não ter o carro mais caro ou por não possuir o celular mais moderno. Os exemplos são do psiquiatra Aramis Lopes Neto, autor de dois livros sobre o bullying, que classifica esse tipo de agressão como um problema generalizado. Para o médico, tão certa quanto a não existência de escolas sem bullying é a necessidade de se investir em ações para reduzir os danos causados por ele.

 

“Zerar esse quadro é impossível porque envolve crianças, que ainda não têm consciência do que isso pode ocasionar. Mas, estatisticamente, não há diferença (entre classes ricas ou pobres). O que muda são as características. Os valores sociais interferem significativamente nisso”, diz.

O psiquiatra aponta questões genéticas e condições sociais e culturais como os principais motivos para que crianças e jovens pratiquem o abuso sistemático ou estejam vulneráveis a ele. “Crianças vindas de uma família em que a violência é instrumento de imposição de autoridade desenvolvem esse comportamento agressivo. Já a vulnerabilidade surge em crianças com famílias que as tratam de maneira extremamente infantilizada, com sistemáticas agressões verbais e físicas”, avalia Neto.

Características que não se encaixam nos padrões estipulados pela sociedade, para o psicólogo e advogado especialista em direitos humanos Túlio Louchard Picinini, são os motivos para esse tipo de violência. “São gordinhos, negros, que sofrem um ataque direto. O bullying é um tipo de violência sofrido por pessoas que possuem diferenças”.

Escola. Apesar de a motivação estar também no meio familiar, especialistas concordam que a escola tem responsabilidade no combate aos abusos. “Histórias de bullying são muito antigas, e as escolas têm papel fundamental nessa questão. Elas podem, por exemplo, realizar palestras, conversar com os pais, orientar e encaminhar os alunos para terapia”, argumenta a psicanalista e psicopedagoga Cristina Silveira.

Para o psiquiatra Aramis Neto, as ações de prevenção e combate das escolas devem ser diárias e de forma clara e objetiva. “Estudos mostram que a escola pode trabalhar esse assunto dentro do seu currículo”.

Fonte: O Tempo

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