Delegacia de Guanhães: falta de efetivo e estrutura expõem risco aos policiais civis e à população

29 de agosto de 2025

A Delegacia de Polícia Civil de Guanhães, no Vale do Rio Doce, é o retrato do abandono vivido pela categoria em Minas Gerais. A denúncia foi feita pelo presidente do Sindpol/MG, Wemerson Oliveira, e pela diretora Vânia Corrêa, durante visita técnica realizada na unidade.

Segundo o levantamento, a situação é alarmante: a região conta com apenas 16 investigadores para atender não só Guanhães, mas também cidades vizinhas que ficam a mais de 100 km de distância. O efetivo reduzido faz com que investigadores tenham que conduzir presos sozinhos, deixando apenas um servidor no plantão para receber ocorrências — cenário que coloca em risco a vida dos policiais e compromete o atendimento à população.

“Nós já tivemos um caso trágico no Amapá, quando um investigador foi morto pelo próprio preso que conduzia sozinho. Não podemos permitir que isso aconteça em Minas Gerais”, destacou Wemerson Oliveira.

Delegacia da Mulher só no papel

Outro ponto grave identificado pelo Sindpol/MG é a inexistência, na prática, de uma Delegacia da Mulher. Embora prevista, a unidade funciona apenas no papel, sem equipe especializada e sem estrutura para garantir o acolhimento humanizado às vítimas de violência.

“A lei é clara: as mulheres precisam de atendimento especializado e servidores preparados. Aqui, nem os próprios policiais têm um espaço digno para trabalhar”, ressaltou Vânia Corrêa.

Estrutura precária e aluguel milionário

Além da falta de efetivo e da ausência de serviços essenciais, o prédio onde funciona a Delegacia de Guanhães não atende às necessidades mínimas de trabalho e atendimento. Apesar disso, o governo gasta R$ 12 mil mensais em aluguel para manter o espaço.

Para agravar a situação, a Polícia Civil perdeu recentemente a posse do antigo fórum da cidade — prédio amplo e adequado para instalação da delegacia. A decisão do governador Romeu Zema foi transformar o espaço em uma UAI (Unidade de Atendimento Integrado), deixando os policiais civis e a população à mercê de uma estrutura cara e ineficiente.

Sindpol/MG vai cobrar providências

O Sindpol/MG reforça que continuará fiscalizando as unidades policiais em todo o estado e cobrando soluções imediatas. A falta de efetivo, a ausência de Delegacia da Mulher e o descaso com a estrutura física de Guanhães evidenciam que a segurança pública não é prioridade para o governo de Minas.