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Guerra entre facções transborda para o Barreiro e Região Metropolitana. Enquanto o governo foca no marketing, transporte público é suspenso por medo e criminosos impõem toque de recolher

A narrativa de “Minas Segura” colapsa em BH

A narrativa de “Minas Segura” colapsa em BH

A propaganda oficial do Governo Romeu Zema tenta vender Minas Gerais como o estado mais seguro do Brasil, mas quem precisa pegar um ônibus no Barreiro ou chegar em casa na Vila Cemig vive uma realidade de zona de guerra. Nesta semana, a escalada da violência entre facções criminosas rivais em Belo Horizonte atingiu um novo nível de ousadia, desmentindo na prática o discurso de controle da segurança pública.

Reportagens publicadas pelo jornal O Tempo nos últimos dias (19 e 20/01) revelam que o Estado está perdendo território. O medo imposto pelo tráfico já altera itinerários de transporte, dita regras de trânsito e coloca a vida da população — e dos policiais — em risco extremo.

O Estado recua, o ônibus não passa

A prova mais clara da falência da segurança preventiva é quando o serviço público deixa de atender o cidadão por medo. Linhas de ônibus vitais, como a 3054, 1380 e 3250, tiveram que mudar seus trajetos às pressas para evitar áreas de conflito no Jardim do Vale e na região do Barreiro.

Quando o transporte coletivo precisa desviar de bairros inteiros para não ser incendiado ou alvejado, fica evidente que quem decide quem entra e quem sai não é mais o Governo do Estado, mas sim o crime organizado.

O “Código Penal” do Tráfico

Não bastasse a restrição de mobilidade, as facções agora legislam sobre o trânsito. Mensagens de WhatsApp circulam nos bairros impondo regras aos moradores: “Abaixar o farol e acender a luz interna”. Quem desobedece a ordem dos criminosos corre risco de morte.

Para o Sindpol-MG, essa situação é inadmissível.

“Quando o cidadão tem que obedecer a ordem de um traficante no WhatsApp para poder chegar em casa vivo, o Estado falhou. O Governo Zema está assistindo passivamente a criação de territórios onde a lei brasileira não vale, vale a lei do crime. Isso é reflexo direto do sucateamento da Polícia Civil. Sem investigação para prender os líderes e asfixiar o financeiro, o ‘soldado’ do tráfico se sente o dono da rua”, dispara Wemerson Oliveira, presidente do Sindpol-MG.

Afronta à Instituição: Bandido com roupa da PCMG

Talvez o sintoma mais alarmante dessa crise tenha ocorrido na Vila Cemig. Um criminoso, utilizando vestimentas táticas com o brasão da Polícia Civil de Minas Gerais, executou ataques que deixaram mortos e feridos.

O uso de uniformes da PCMG por bandidos é uma afronta gravíssima à instituição e uma tática de guerra que gera terror e confusão. Isso coloca em risco a vida dos verdadeiros policiais civis, que podem ser confundidos ou emboscados, e destrói a confiança da população na polícia.

A Solução: Inteligência, não apenas Marketing

O Sindpol-MG reforça que a resposta para essa guerra não é apenas colocar viaturas da Polícia Militar paradas nas esquinas (o chamado “policiamento de presença”). As facções são organizações complexas.

Para retomar o controle de Belo Horizonte, o Governo de Minas precisa, urgentemente:

  1. Investir na Polícia Civil: Contratar os excedentes e recompor o efetivo para que as delegacias especializadas possam investigar a fundo as facções.
  2. Inteligência Policial: Monitorar e antecipar ações criminosas, identificando de onde vêm as ordens e as armas.
  3. Valorização: Pagar um salário digno para quem arrisca a vida combatendo criminosos cada vez mais audaciosos.

Enquanto Zema governar pelo Instagram, o povo de BH continuará refém das ordens de “apagar o farol” vindas do crime organizado.

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