Situação precária e insalubre na Unidade de Plantão da Polícia Civil em Patos de Minas

27 de maio de 2025
Sindpol denuncia situação precária e insalubre na Unidade de Plantão da Polícia Civil em Patos de Minas Sindpol denuncia situação precária e insalubre na Unidade de Plantão da Polícia Civil em Patos de Minas

Durante fiscalização realizada na última semana, o Sindicato dos Servidores da Polícia Civil de Minas Gerais (Sindpol/MG) encontrou um cenário alarmante na Unidade de Plantão da Polícia Civil em Patos de Minas. A visita foi conduzida pelo presidente do sindicato, Wemerson Oliveira, e pela diretora executiva de Assuntos da Mulher, Vânia Cristina, que constataram graves problemas estruturais, operacionais e de segurança no local.

A unidade, que funciona em um imóvel alugado pela prefeitura, opera com apenas dois investigadores. Além do número extremamente reduzido de efetivo, os profissionais trabalham em condições insalubres, com cômodos em mau estado de conservação e um forte cheiro desagradável espalhado por todo o prédio. Segundo relatos colhidos pelo sindicato, o imóvel apresenta sérios problemas de infraestrutura e não oferece as mínimas condições para o trabalho policial.

O problema se agrava ainda mais diante das demandas da unidade. Um dos investigadores é frequentemente designado para realizar escoltas de presos, percorrendo até 500 quilômetros sozinho — o que representa um risco extremo à sua segurança e à do próprio custodiado. Enquanto isso, o outro investigador precisa permanecer na delegacia para que o local não fique completamente desassistido. É importante destacar que a escolta de presos é atribuição da Polícia Penal, e não da Polícia Civil, o que torna ainda mais grave a sobrecarga e o desvio de função imposto aos policiais civis.

“É inaceitável que um policial tenha que sair para uma escolta solitária, viajando centenas de quilômetros, enquanto o colega fica sozinho em um imóvel precário, tentando manter o funcionamento da unidade. Estamos diante de um caso claro de negligência do Estado com seus servidores e com a segurança da população”, afirmou Wemerson Oliveira.

O Sindpol reforça que a situação em Patos de Minas não é isolada, mas retrata a realidade de muitas unidades da Polícia Civil no interior de Minas Gerais. O sindicato exige providências urgentes do Governo do Estado para garantir efetivo mínimo, condições de trabalho dignas e respeito aos servidores públicos que colocam suas vidas em risco diariamente para cumprir seu dever.

Segundo Wemerson, a Delegacia Regional não possuí nem 45 investigadores, número muito distante do ideal para poder dar conta do número de ocorrências da cidade e entorno. Além disso, em algumas localidades, servidores de prefeituras cedidos pelas administrações municipais estão fazendo trabalhos exclusivos de policiais civis.

“É inadmissível que os policiais civis de Minas Gerais tenham que trabalhar nessas condições. Estamos colocando nossas vidas em risco diariamente, sem o mínimo de suporte por parte do governo estadual. Estamos diante de um colapso operacional que exige medidas urgentes por parte do governo estadual”, afirmou Wemerson Oliveira.

O presidente do Sindpol ainda reforça que escoltas estão sendo feitas por policiais sozinhos. “Não somos heróis. somos trabalhadores, com direitos e dignos de respeito. O Sindpol continuará a fiscalizar as condições de trabalho dos policiais civis em todo o estado, denunciando a situação e cobrando melhorias pelo Governo de Minas”, pontuou.

O Sindpol/MG ressalta que a escassez de efetivo é um problema recorrente em diversas unidades da Polícia Civil no interior de Minas Gerais, resultado da falta de concursos públicos e da ausência de políticas eficazes de valorização dos servidores. Essa negligência compromete não apenas a integridade física e mental dos policiais, mas também a segurança da população mineira, resultando em alta criminalidade.

Diante desse cenário alarmante, o Sindicato exige providências imediatas por parte do Governo de Minas Gerais para a nomeação de novos policiais civis e a implementação de medidas que garantam condições dignas de trabalho. É fundamental que os servidores tenham suporte adequado para cumprir suas funções e assegurar a justiça e a paz social que a sociedade mineira merece.