Assaltos em série se alastram.

Assaltos em série se alastram

Assaltos em série a padarias e a farmácias de Belo Horizonte vêm gerando pânico entre empresários e trabalhadores do ramo. Pelo menos 12 casos foram registrados de julho até agora, conforme levantamento feito pela reportagem com base nas ocorrências divulgadas pela Polícia Militar (PM). A Secretaria de Estado de Defesa Social (Seds) não revelou o balanço de ocorrências no ano, mas a polícia estima um crescimento de 8% no índice de roubos de janeiro a maio de 2012 em comparação com o mesmo período do ano passado.

O que mais preocupa o setor é a reincidência de assaltos nos estabelecimentos, como ocorreu na padaria Big Pão, no bairro Vale do Jatobá, no Barreiro, que foi alvo de bandidos cinco vezes em maio passado e 27 vezes em dois anos e meio de funcionamento. Há também o caso da padaria França, no bairro Boa Vista, na região Leste, invadida quatro vezes nos últimos quatro meses.

Nessa última, o comerciante Vanderley de Paula, 38, levou um tiro no peito, que passou a um milímetro de seu coração. A bala continua alojada nas costas do empresário, mas ele já retornou para detrás do balcão, onde continua à mercê dos bandidos. "Dependo do meu trabalho, não posso simplesmente parar. O jeito é pedir proteção a Deus", disse.

Além do perigo que correm os profissionais do setor, clientes e pedestres também sofrem com a violência. No dia 4 deste mês, uma adolescente de 16 anos foi atingida por um tiro de raspão no braço quando passava em frente a uma padaria no bairro Céu Azul, em Venda Nova, onde acontecia um confronto entre assaltantes e policiais militares. Funcionários do comércio foram mantidos reféns durante a troca de tiros.

Alerta. O Sindicato e Associação Mineira da Indústria de Panificação (Amipão) calcula que 94 padarias foram assaltadas só neste ano. Por conta disso, a entidade se reuniu com a PM em julho para cobrar mais segurança. O Sindicato dos Práticos de Farmácia e dos Empregados no Comércio de Drogas, Medicamentos e Produtos Farmacêuticos (Simprafarma) também vê o problema com preocupação, não só pela perda financeira dos estabelecimentos, mas pela violência física e também psicológica que sofrem os profissionais.

O coronel Rogério Andrade, chefe do Comando de Policiamento da Capital (CPC), informou que o número de crimes era ainda maior em 2011, quando houve um aumento de 40% no número de assaltos a padarias e farmácias em comparação com 2010. "Conseguimos desacelerar a tendência de aumento. Mas não dá para falar em diminuição e ser indiferente às reincidências, que são um grande problema", disse.

Segundo Andrade, os assaltos acontecem tanto na área central de Belo Horizonte como na periferia. Estudo feito pela Federação do Comércio de Minas Gerais (Fecomércio-Minas) aponta as regiões de Venda Nova e do Barreiro como as mais perigosas. A padaria Big Pão, no Barreiro, é exemplo do risco. O dono do estabelecimento, Antônio Moreira Magalhães, 40, está desde o início do ano tentando vender o comércio, mas não acha comprador. "Não tem como eu omitir os 27 assaltos que já sofri, ninguém quer se arriscar", disse.

 

Alternativa
Polícia aposta em blitze para conter roubo ao comércio

Como 45% dos assaltos a padarias e a farmácias são praticados com o uso de motocicletas, a Polícia Militar investe em blitze como forma de reduzir o crime. Em março deste ano, foi lançada a operação Impacto,que realiza fiscalizações-surpresa em semáforos com foco em quem anda sobre duas rodas. "Passamos também a fechar repentinamente os quarteirões, para vistoriar os veículos", comentou o coronel Rogério Andrade, chefe do Comando de Policiamento da Capital (CPC).

Mas ele ressaltou que não adianta ação policial se não houver vigilância nos estabelecimentos. "Policiamento tem limite. Os bons resultados serão proporcionados por uma rede social de inteligência e segurança", completou.

Segundo o economista da Fecomércio Minas Gabriel de Andrade Ivo, uma pesquisa da entidade revela que os comerciantes já investem, em média, 20% do faturamento com aparato de segurança, como câmeras, grade, trancas e vigias. "Para pequenas empresas, é um valor que pesa muito", declarou.

O presidente do Sindicato e Associação Mineira da Indústria de Panificação (Amipão), José Batista, defende a necessidade de o empresário tomar seus cuidados, mas aguarda providências do governo. "Precisamos de uma ação forte para proteger os cidadãos de bem".