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Governo dá sinais de recuo

Ministros consideram reduzir tempo mínimo de trabalho de 18 meses para um ano

Governo dá sinais de recuo

Governo dá sinais de recuo

Brasília. Diante da insatisfação das centrais sindicais, o governo estuda rever as regras que restringiram o acesso ao seguro-desemprego. A ideia é conseguir algum apoio dos representantes dos trabalhadores para aprovar, no Congresso Nacional, a medida provisória que alterou as normas. Uma das possibilidades em estudo é a redução, de 18 meses para 12 meses, do período aquisitivo para ter acesso ao seguro pela primeira vez.

Entre as mudanças anunciadas pelo governo em dezembro está a elevação, de seis para 18 meses, no período de trabalho exigido nos 24 meses anteriores à demissão para que o cidadão peça o seguro-desemprego pela primeira vez. “A redução desse período é uma das pautas das centrais sindicais e há uma chance real de isso acontecer”, disse uma fonte do governo.

A avaliação interna é de que, se houver uma mudança na regra para o acesso à primeira parcela, provavelmente isso atingirá o período aquisitivo exigido para se ter direito ao benefício pela segunda vez. De acordo com a medida provisória, essa exigência é de 12 meses de trabalho nos 16 meses anteriores à dispensa injustificada.

O governo se dispôs a negociar as regras depois da reunião realizada no último dia 19, em São Paulo, com as centrais sindicais. Na avaliação dos sindicalistas, o Executivo cometeu um equívoco ao restringir o acesso às parcelas, sobretudo em um momento em que a taxa de desemprego pode subir. Eles reclamam ainda da forma como o governo fez as alterações, por meio de medida provisória, em vez de realizar uma discussão prévia no Congresso.

Na semana passada, em Davos, na Suíça, o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, considerou o modelo do seguro-desemprego “ultrapassado”, o que causou ruído dentro do próprio Palácio do Planalto e entre os sindicalistas. “ O governo está disposto a negociar”, disse a fonte do governo. Há duas semanas, o Ministério do Trabalho também divulgou estimativa segundo a qual as novas regras reduzirão em 26,58% os beneficiados.

Ao anunciar as mudanças, no fim do ano passado, o governo calculou que elas vão gerar uma economia de R$ 18 bilhões em 2015. O valor ajudará a equipe econômica a equilibrar as contas públicas e a alcançar a meta de superávit primário, a poupança para o pagamento de juros da dívida pública, fixada de R$ 66,32 bilhões ou 1,2% do Produto Interno Bruto (PIB) este ano.

Além de questionar as mudanças nas normas de acesso ao seguro-desemprego, as centrais sindicais reclamam de outras alterações, como nas regras de pagamento do abono salarial e das pensões por morte. A proposta do governo prevê, por exemplo, o fim do benefício vitalício para cônjuges jovens.

Foi estipulada uma tabela que assegura o benefício pela vida inteira para quem fica viúvo com 44 anos ou mais e que tenha expectativa de sobrevida de até 35 anos. Abaixo dessa idade, o benefício passará a ser temporário e dependerá da sobrevida do pensionista.

Dilma diz que ‘direitos são intocáveis’

A presidente Dilma Rousseff aproveitou a primeira reunião ministerial, realizada nesta terça, para dissipar rumores de que as mudanças propostas nos benefícios trabalhistas tenham caráter de colocar fim os direitos do trabalhador. Ela convocou seus ministros a serem claros e objetivos em suas respostas à sociedade.

“Quando for dito que vamos acabar com as conquistas históricas dos trabalhadores, respondam em alto e bom som: Não é verdade! Os direitos trabalhistas são intocáveis e não será o nosso governo, um governo dos trabalhadores, que irá revogá-los”, disse Dilma.

Relembre

29/12/2014

Ministro-chefe da Casa Civil, Aloizio Mercadante, anuncia uma série de mudanças em programas ligados à Previdência, como aperto no seguro-desemprego e mais restrições a benefícios como auxílio-desemprego e pensão por morte

19/01/2015

Ministro da Fazenda, Joaquim Levy, anuncia uma série de medidas para promover um ajuste fiscal, como aumento do IOF e volta da Cide, imposto que incide sobre a gasolina

Neste mesmo dia, governo se reúne com as centrais sindicais, mas não há acordo

Impacto

Trabalhadores. Segundo o Ministério do Trabalho, as mudanças limitarão acesso de 2,27 milhões de trabalhadores ao seguro em 2015, 26,5% dos 8,55 milhões que pediram em 2014.

Fonte: O Tempo

 

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