Restrição no sistema pode comprometer a produção de inteligência policial e dificultar a elucidação de crimes, afirma presidente do sindicato durante participação no programa Band Cidade.
O Sindicato dos Policiais Civis de Minas Gerais (SINDPOL-MG) manifestou preocupação com o comunicado que informa a limitação de consultas realizadas por usuários no sistema REDS, ferramenta indispensável para o trabalho diário da Polícia Civil.
De acordo com o aviso divulgado aos usuários do sistema, as consultas passaram a ser limitadas a 50 pesquisas por dia e 500 por mês por usuário, por determinação da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (SEJUSP).
Para o SINDPOL-MG, a medida pode gerar impactos significativos na atividade investigativa, especialmente em delegacias que lidam diariamente com grande volume de ocorrências e investigações complexas.
O sistema REDS é utilizado constantemente pelos policiais civis para consulta de ocorrências, levantamento de informações, cruzamento de dados, identificação de vínculos entre pessoas, veículos e endereços, além de subsidiar diligências e a produção de inteligência policial.
Em muitos casos, uma única investigação exige dezenas de consultas para reunir elementos suficientes que permitam identificar autores, localizar suspeitos ou esclarecer a dinâmica dos crimes.
Na avaliação do sindicato, estabelecer limites rígidos para essas consultas pode retardar investigações, dificultar o trabalho dos investigadores e reduzir a eficiência das apurações criminais.
Investigação exige acesso à informação
O presidente do SINDPOL-MG, *Wemerson Oliveira, abordou o tema durante participação no programa *Band Cidade, apresentado por Marcos Maracanã.
Segundo ele, embora a medida possa parecer administrativa, seus reflexos recaem diretamente sobre a atividade-fim da Polícia Civil.
”Investigar é consultar informações. É cruzar dados. É analisar ocorrências, veículos, pessoas, endereços e históricos. Muitas vezes, uma única investigação exige dezenas de pesquisas para que o policial consiga chegar à autoria de um crime.”
Wemerson destacou que a Polícia Civil já enfrenta uma série de dificuldades estruturais, como déficit de efetivo, sobrecarga de trabalho e desvio de função, tornando ainda mais preocupante qualquer medida que possa restringir o acesso às ferramentas utilizadas pelos investigadores.
“O que os policiais precisam é de mais condições para investigar, mais tecnologia e mais estrutura, e não de obstáculos que possam retardar a produção de inteligência e a elucidação de crimes.”
Reflexos para a segurança pública
Para o sindicato, a investigação criminal depende diretamente do acesso rápido e eficiente às informações disponíveis nos sistemas institucionais.
A limitação de consultas pode afetar a análise de ocorrências, o cruzamento de dados entre investigações, a identificação de conexões entre crimes e a produção de inteligência necessária ao enfrentamento do crime organizado e de outras modalidades criminosas.
O SINDPOL-MG ressalta que qualquer medida administrativa que interfira na atividade investigativa deve ser amplamente debatida, considerando seus reflexos na prestação do serviço à sociedade.
O sindicato informou que acompanhará de perto os desdobramentos da medida e buscará esclarecimentos sobre seus impactos para os policiais civis e para a investigação criminal em Minas Gerais.
Como reforçou o presidente Wemerson Oliveira durante sua participação no programa, fortalecer a Polícia Civil passa necessariamente pelo investimento em tecnologia, estrutura e condições adequadas de trabalho.
”Quando a investigação perde capacidade de atuação, quem perde não é apenas o policial civil. Quem perde é toda a sociedade mineira.”
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