Enquanto o Governador Romeu Zema e o vice-governador Mateus Simões usam as redes sociais para vender a imagem de que Minas Gerais é uma “ilha de segurança” blindada contra o crime organizado, a realidade nas ruas de Belo Horizonte conta uma história muito diferente e sangrenta.
Uma reportagem veiculada nesta segunda-feira (19) pelo jornal O Tempo, intitulada “Guerra contra avanço de facções na Serra muda rotina de moradores e comerciantes”, expõe o cotidiano de medo que tomou conta do maior aglomerado da capital. Toques de recolher, tiroteios constantes e o domínio territorial pelo tráfico desmentem, na prática, o discurso oficial de que o Estado tem o controle da situação.
O fracasso do policiamento sem investigação
Para o Sindpol-MG, a situação na Serra é o sintoma mais agudo de uma política de segurança pública focada apenas no “visual” e no policiamento ostensivo, enquanto a Polícia Civil — responsável pela inteligência e investigação — sofre com o sucateamento.
Recentemente, o vice-governador Mateus Simões afirmou que as forças de segurança “não sairiam do aglomerado” até garantir a paz. No entanto, a permanência do conflito prova que apenas a presença de viaturas na rua não é suficiente para desarticular organizações criminosas complexas, que possuem hierarquia, rotas de financiamento e armamento pesado.
“O governo aposta no confronto direto, na troca de tiros na ponta, o que coloca em risco o policial e o morador, mas não resolve o problema. Isso é enxugar gelo. Enquanto o Estado não investir pesado na Polícia Civil para investigar quem manda, quem financia e por onde entram as armas, a guerra vai continuar. O crime organizado não se vence apenas com força bruta, se vence com cérebro e inteligência”, afirma Wemerson Oliveira, presidente do Sindpol-MG.
Atacar o cofre, não apenas o soldado
A crítica do sindicato é técnica: para acabar com a guerra de facções, é preciso asfixiar financeiramente as quadrilhas e prender suas lideranças, algo que só é possível através de inquéritos robustos, escutas, quebras de sigilo e operações de inteligência — justamente as atribuições da Polícia Civil, que hoje opera com déficit de pessoal próximo a 50%.
Enquanto Zema e Simões culpam fatores externos ou leis federais, o Governo de Minas segue ignorando que sua própria polícia judiciária carece de tecnologias modernas e efetivo para antecipar os movimentos das facções.
A população paga a conta
A reportagem de O Tempo relata comerciantes fechando as portas mais cedo e moradores impedidos de circular. Essa “mudança de rotina” é, na verdade, a perda da liberdade.
O Sindpol-MG reafirma: não existe “Minas Segura” enquanto houver territórios onde o Estado não entra ou onde a lei do silêncio impera. A segurança pública real só virá quando o Governo Zema descer do palanque e começar a valorizar quem tem a competência legal para desmantelar o crime organizado: a Polícia Civil de Minas Gerais.
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